terça-feira, 23 de agosto de 2011

"Them", um «caopic» de Gordon Douglas [1954] ]incompl.}



Há muito que projecto escrever sobre duas coisas que especialmente me interessam: uma delas é aqiilo que entendo cobnstituir um "genre", a seu modo, completamente à parte na literatura e no cinema a que chamei o «caopic» [< de «caos» + «epic»] e outra é o que poderíamos chamar a "biologia" ou "biomorfia das nossas representações" também literária e cinematograficamente falando.
Tenho para mim que o «caopic», não constituindo exactamente um genre moderno é ainda assim o herdeiro conceptual eu chamar-lhe-ia «pós-moderno» do velho motivo ou «represenhtema» ficcional ["ficcionável", em todo o caso] do aprendiz de feiticeiro que Stevenson tratou no clássico "Doctor Jeckyll & Mister Hyde", por mais de uma vez cinematizado.
A minha tese neste ponto específico é que durante muito tempo as perturbações introduzidas no curso "normal" da realidade são, efectivamente, fruto da imprevidência [da desmedida e imprevidente ambição] individual de um qualquer Dr. Jeckyll, que, à semelhança dos seus antepassados trágicos gregos e de alguns incontornáveis "vilões" bíblicos julga estar ao seu alcance roubar o segredo do fogo aos deuses ou o da sabedoria ao próprio Deus, desencadeando, a partir daí, todo o tipo de sobressaltos no funcionamento natural ou, pelo menos, previsível da realidade.
Ora, sucede que em versões modernas [e mesmo desromantizadamente põs-modernas...] do motivo, os agentes efectivos do caos [leia-se: os culpados pela emergência do mesmo] deixam de ser os Prometeus ou os Adões e Evas isolados passando, como acontece muito claramente , por exemplo, em "Jaws" de Spielberg ou "Jurassic Park" a ser as grandes corporações e os interesses económico-financeiros, cegos com o brilho do ouro e simbolicamente [ou talvez não] insensíveis aos dramas humanos que a conquista desse mesmo ouro traz consigo.
É essa em meu entender, a principal característica da "revisão", chamemos-lhe « pós-moderna» do velho mecanismo trágico grego grego caracterizado, por seu turno, herdeiro como é [tal como o mito adâmico, aliás!] da ideia primitiva de tabu, por uma certa demonstrável imprecisão ou ambiguidade na definição do conceito [e da auto/percepção] da culpa.
Muitas vezes, no caso grego, com efeito o agente da ruptura de uma certa ordem natural das coisas não se nos apresenta claramente a não ser no plano objectivo como um verdadeiro e genuíno culpado da mesma.
Frequentemente, com efeito, muito mais do que um sujeito activo e consciente, deliberado da referida ruptra, ele surge-nos como um objecto, de algum modo inocente, da mesma, um infeliz manipulado pelo destino.
Não será esse o "caso" de Prometeu ou de Adão, no caso bíblico mas é com certeza o de um Édipo cujos actos são cometidos no dexcionhecimento da sua verdadeira natureza que é como quem diz do conhecimento real de todos os aspectos que os rodeiam e que deles derivam.
Tenho mesmo para mim que o grande contributo filosófico do cristianismo relativamente às religiões que o antecederam é a "descoberta" da ideia de culpa.
Ou, se assim peretendermos dizer, da dignidade da culpa  humana  no sentido preciso em que esta passa a ser vista ou a poder ser vista como um verdadeiro "direito ontológico" do indivíduo, directamente associado à sua liberdade
É verdade que desta ideia da dignidade da culpa constituindo esta intrinsecamente uma componente potencial da liberdade o uso que é muitas vezes feito pelo próprio cristianismo, designadamente na sua versão puritana está muito mais próximo da opressão do que da liberdade, tendo-se perdido esse ensejo para o cristianismo se converter de facto como de direito num verdadeiro e genuíno humanismo que, na realidade, raramente  foi e hoje está longe de ser de modo a poder aspirar a tornar-se na base daquela ideia de úma ética natural defendida pelos «filósofos franceses  de Setecentos.
De facto, o cristianismo usou, a partir dessa sua inovadora descoberta da dignidade do indivíduo como detentor de culpa isto é, como verdadeiro responsável [e, se quisermos: "titular"] dos seus actos, a culpa como uma espécie de mecanismo repressor e opressor electivo dessa mesma liberdade, convertendo-a, a prazo, numa espécie não só de fim como de fatalidade natural identificável com «castigo» da própria condição humana como tal.
É com essa forma terminal que vamos encontrá.lo em particular na sua versão puritana corrente na Norte América e nas múltiplas formas do inconsciente colectivo das respectivas populações e, naturalmente, da [cultura, culturas ou mesmo subcultura[s] que a partir dele, se geram, se produzem
ESa questão da culpa surge, no caso norte-americano potenciada por todo um «passado fundador» assente no genocídio dos povos autóctones--algo que fica muito claro  


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