Um período da História que positivamente me fascina é que medeia entre 1918 e a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha. Releio os Mann, Musil e o próprio Kafka com a frequência possível.
E deslumbro-me com idêntica regularidade perante o cinema alemão dos anos 20. Impressiona-me a percepção que ele tem da decadência, a pulsão decadentista que da desintegração moral da sociedade alemã do período que antecede a ascenção do nazismo [e, no fundo, a explica!] têm cineastas como Pabst, Lang [o cronista da crueldade e mesmo da cega brutalidade, [até quando consegue ser tão obviamente reaccionário como Lang é em "Metropolis", realizado sobre argumento da mulher, Thea von Harbou, membro do partido nazi] do poder, Leni Riefenstahl [próxima de Hitler, cineasta que glorificou o nazismo de um modo que acentua objectivamente o que nele há de cegamente massificador e desumanizador] ou Josef von Sternberg, cujo [hoje clássico] "Der Blaue Engel", é a crónica de uma leviandade [o protagonista ostenta o nome significativo de Professor "Unrath", "insensato"] uma decadência tão angustiante e penosa quanto irregressível, como o triunfo de Hitler veio provar assim como da intolerância geral para com as fraquezas humanas, um tema que é comum a "Der Letzte Mann" de Murnau.
É um filme "que dói", ainda hoje, como sucede, aliás, com o já citado "Der Letzte Mann" de Murnauum filme-tragédia, no sentido aristoteliano de despertar piedade e nojo.

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