sexta-feira, 29 de julho de 2011

"The Narrow Margin" de Richard Fleischer [incompl.]


Estive a regravar em DVD "The Narrow Margin" um filme de Richard Fleischer que passou na RTP há anos e que tinha em video. Era quando a RTP passava cinema...
Os clássicos mesmo os de série B--- a melhor escola de cinema possível...
O filme é um série B interessante sem ser extraordinário.
Pessoalmente gostaria muito de saber o que um génio como Hitchcock faria com aquele argumento que, aqui e ali faz pensar em "North By Northwest".
Hitchcock faria seguramente algo que Fleischer se "esqueceu" [desdenhou ou ou não foi capaz] de fazer: desenhar meticulosamente cada personagem, centrando nelas todo o suspense.
Imagino que faria do polícia [um Charles MacGraw hard boiled vagamente sósia de Kirk Douglas] um ser bem mais vulnerável, um Scotty com as suas vertigens ou um Cary Grant bombardadeado com insecticida a arrastar-se atrerrorizado no meio de um milheiral ou fugindo à frente de um avião...
O génio de Hitch residia, a meu ver, não no suspense pelo suspense mas no modo como ele se reportava invariavelmente a alguém, ao drama pessoal  de alguém cuidadosamente desenhado em termos psicológicos.
Também as relações entre as personagens passavam por um tratamento que subtilizava e valorizava todo o desenvolvimento da acção, criando Hitchcock alguns pares "ideais" como o que ary Grant e Grace Kelly constituíram em "To Catch A Thief" ou esse de muitos o que protagonizam James Stewart e Kim Novak [a quem o próprio Hitch preferia Vera Miles para o papel] em "Vertigo"
Ou ainda aquele que Paul Newman com quem Hitch teve uma divergência famosa e Julie Andrews cujo trabalho pessoalmente e apesar das reservas do realizador que, como digo, já as tivera relativamente a Kim Novak, me convence perfeitamente em "Torn Curtain".
Voltando, porém, a "The Narrow Margin": no recurso ao assentar de todo o filme na acção, nos expedientes de argumento e não nas personagens, revela-se claramente um série B. "Asseado" e sóbrio, sempre digno, mas série B. Do tipo que, com as obras de Michael Curtiz, Raoul Walsh ou até Anthony Mann fez as delícias da plateia do velho e saudoso "Olympia" pré-La Féria , onde, aliás, à época, eu próprio sempre tão gostosamente  me incluí
A verdade  é que a clientela do Olympia não se distinguia à época propriamente pelo seu apego a grandes subtilezas de natureza psicológica preferindo-lhes claramente a acção enquanto oposto do que ela designaava depreciativamente pelos filmes "de enredo".
Ora, "The Narrow Margin", que não sei se alguma vez passou no velho cinema das portas de Sto. Antão é filme para proporcionar  o tão atreciado denoument capazz de empolgar plateias como a do Olympia, mesmo quando soam claramente a "far fetched" e a a forçado.
Seja como for, Charles MacGraw dá excelente conta de si como Kirk Douglas "dos pobres", enquanto a bela e sensual Marie Windsor [1818-2000] defende com eficiência um papel de [suposta] gangster moll que, afinal, é polícia!... 
Fleischer, porém, mais interessado nos aspectos chamemos-lhes "prátiocos" do filme, nos "efeitos especiais" narrativos, trabalha sem muito empenhamento a tãio avinagrada quanto singular relação entre ambos sem, apesar disso, conseguir fazer do romance do primeiro com a loira Jacqueline White o que quer que seja que o aproxime sequer do que Cary Grant e Eva Marie Saint mantêm sob a tutela de A. Hitchcock em "North By Northwest" e que constitui um dos apoios narrativos determinantes da obra-prima que o filme é.

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