Implacável sátira e repositório à sociedade britânica dos anos '60, precursor do fabuloso "A Clockwork Orange" de Kubrick, o filme do angry young man Lindsay Anderson não deixa pedra sobre pedra da Britannia "jingoista" e "kiplinguiana" [Kipling que todo o filme cita às avessas, logo a começar no título] contra a qual se rebelaram Osborne no seu ainda hoje referencialíssimo "Look Back In Anger", Doris Lesing [à época, uma enérgica "angry young person" que viria, aliás, tal como Anderson a ser posteriormente absorvida pelo mainstream cultu[r]al e acabaria Prémio Nobel, Kenneth Tynnan ou Lindsay Anderion, o realizador deste explosivo e vitriólico "If..."
A fim de desconstruir a violência institucional do "British way" mais ferozmente tradicionalista, Anderson rercorre ao bizarro universo das public schools inglesas, onde a opressão e a violência se institucionalizaram de tal modo que assumiram a forma de tradição implicitamente aceite, quando não mesmo de normas e regulamentos de natureza literalmente medieval, com o famigerado "caning" à cabeça.
Todo o filme gira em torno da ideia, ainda hoje-por-hoje tragicamente actual, de como se fabrica a violência social e política nas sociedades modernas, um ponto que tem em comum com o seu já citado notabilíssimo sucessor saído da sempre estimulante e inspiradíssima câmara de Kubrick.
O filme, cujo elenco é liderado por um inquietante Malcolm MacDowell, fala de como o "sistema" põe nas ,mãos dos indivíduos não só os meios [o treino militar, as guerras de contra-insurreição colonialista com o Vietname como referencial máximo ] como inclusive os móbeis para a revolta que à época estala por muita da Europa ocidental, desde logo na Itália das Brigadas e na Alemanha da R.A.F.
Pouco a pouco, o funcionamento normal desse mesmo fortemente verticalizado "sistema" vai semeando e meticulosamente alimentando ódios e ressentimentos de todo o tipo [aliás, como disse, devidamente institucionalizados] destruindo a dignidade das pessoas e impelindo-as à retaliação que gera a implosão do próprio "sistema". A revoltosa feminina que, no fim, colabora no massacre dos professores é uma referência a Patty Hurst, a filha do milionário norte-americano que se juntou a um à época muito falado Exército Simbiónico de Libertação que a havia raptado para exigir por ela resgate e que apareceu em revistas e jornais da época empunhando como a jovem sublevada do colégio uma metralhadora?
Muito habilmente Anderson discorre sobre o enquistamento inclusive sexual de uma socieade fechada sobre si mesma, cultu[r] al e exiostencialmente sufocante e também sufocada.
Extremamente bem contado e interpretado, o filme é, sobretudo, um espírito e faz, mutatis mutandis, visto de hoje, irresistivelmente pensar na ideia bergmaniana do "ovo da serpente".
É ainda hoje,em definitivo, um dos "filmes da minha vida".
É ainda hoje,em definitivo, um dos "filmes da minha vida".

Sem comentários:
Enviar um comentário