terça-feira, 26 de julho de 2011

"«Beau Brummell» de Curtis Bernhardt""

...um filme que faz parte do meu imaginário. Estive ontem a re/ver algumas sequências no TCM mas nãso poude gravá-lo nem sequer vê-lo integralmente porque estive a gravar "The Last Tycoon", baseado no romamnce homónimo de F. Scott Fitzgerald., no TVC4.
O filme de Curtis Bernhardt não será uma obra-prima mas é visualmente sumptuoso e ideologicamente simpático mostrando um George Brummell/Stewart Granger irreverente capaz de fazer frente aos caprichos da realeza, representada por um sempre truculento e dramaticamente cintilante Peter Ustinov.
Granger que se celebrizou como espadachim em obras como "Scaramouche" de George Sidney ou "The Swordasman from Sienna" ou um interessantíssimo "The Prisoner of Zenda" de Richard Thorpe, baseado na obra homónima de Anthony Hope não era [longe disso!] um actor excepcional mas tinha uma presença imponente ]"imposing"] e um registo errroll-flynnesco e muito físico que, no género de filme que em geral interpretou, substituíaa quase credivelmente a qualidade dramática e técnica que não teria.
Hollywood sempre se apaixonou por actores ingleses dos quais fez muitas vezes [talvez como revivescência--e "vingança"--da antiga relação colonial] vilões temíveis. Foram os casos de Basil Rathbone, George Sanders e mais modernamente Anthony Hopkins. A alternativa à vilania era com frequência a sedução. Sanders, por exemplo era visto como um perigoso e dificilmente resistível sedutor. O casamento com a borbulhante Zsa Zsa Gabor ajudou a consolidar essa imagem a que a voz caracteristicamente velada e anasalada emprestava credibilidade adicional.   
Granger com as à época famosas cãs brancas era, sobretudo o sedutor: não me recorsdo de tê-lo visto fazer um único papel de "mau", como James Mason [o Rupert of Hentzau de "The Prisoner of Zenda" ou Sanders. 
Pessoalmente acredito que esta espécie de vingança [talvez] inconsciente contra o velha potência colonial atinge uma espécie de climax em "Silence of the Lamb" onde fala com acento britânico, o intelectual antropofágico, que é uma espécie de Sherlock Holmes malévolo e parasitário que se alimenta dos mortais comuns e pode, em tese, representar a relação que, do ponto de visata do americano médio, se encontra cultu[r]almente estabelecida entre a elite intelectual e o conjunto da sociedade "normal" que aquela coloniza e relativamente à qual opera sinbolicamente como o antigo colonizador.
Grasnger trepresentou o lasdo decididamente são, ainda que situando-se um pouco acima da "normalidade" desta relação entre a antiga potência colonial e o colonizado liberto da sua influência e do seu poder directo.   



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