quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"O Teatro e o Cinema--a propósito de 'Lifeboat» de A. Hitchcock"

O teatro, sem ignorar o que Artaud sobre ele pensava e chegou mesmo a teorizar, não é o retrato fiel da realidade mas o reflexo crítico especular dela obtido no espelho falsamente imóvel da inteligência sob a forma intelectualmente perfeita da palavra.   
O Teatro [como algum cinema mais positivamente teatral, como algum  de Dreyer] pode, num certo sentido crítico profundo, ser definido como a "educada crónica de múltiplas ausências" .
A forma máxima ou, se assim se preferir dizer: "mais perfeitamente educada" de Teatro é a ópera onde a crítica do real se afasta de tal modo das circunstâncias avulsas deste que o retrato obtido nos surge, na sua forma mais pura e exacta, isto é, idealmente livre da contaminação da representação pretendida, pelas impressões primárias provenientes do uso exclusivo dos sentidos.
É neste sentido de estudo especular sério e profundo ou de crónica crítica da ausência que "Lifeboat" de Hitchcock emerge na História do Cinema e em concreto na filmografia do mestre como um caso exemplar de rigor na abordagem ficcional ou na teatralização [quase operativização...] perfeita de um objecto
Não se trata, porém, de simplificar tipificando mas de consagrar paradigmatizando, como na ópera, como grande xadrez existencial onde as peças são os arquétipos das próprias peças usados num sentido em tudo peóximo da ideia grega de trágico, isto é, do trágico como estímulo para o conjunto da sociedade ou da cultura a partir da qual e para a qual foram gerados.    

1 comentário:

  1. Seu blog não é pra quem quer aprender alguma coisa não né? Não entendi nada

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