domingo, 2 de outubro de 2011

"«Umberto D. de Vittorio de Sica [1952]"

Comovidamente dedicado à Amiga de que falo imediatamente a seguir, aqui deixo uma sequência do filme de de Sica onde a dificilmente igualável Amizade entre um homem e seu cão é homenageada de uma forma hoje já clássica.
Trata-se de uma situação que só quem teve a sorte de protagonizar uma relação dessa, não hesito em dizer: verdadeiramente sublime natureza está em condiçao de entender.

"«Lágrimas e Suspiros» de Ingmar Bergman"

No próprio momento em que uma Amiga muto querida continua a lutar denodadamente contra a Morte tentando desesperadamente resistir a um tumor incurável que se lhe declarou recentemente, recordo lançando sobre ele um olhar completamente novo, o filme de Bergman que infelizmente estou hoje mais capaz e mais próximo do que nunca de entender em toda a extensão do seu trágico conteúdo em sofrimento humano como em culpa.      

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Constance Towers a 'Hanna Hunter' de «The Horse Soldiers» de John Ford"

"The Horse Soldiers" de John Ford [1959] c






"The Horse Soldiers" é John Ford no seu melhor.
Soberbo gestor  de personagens e situações, Ford constrói aqui um "Fort Apache" mais complexo e mais  profundo, animado de um espírito pacifista extremamente bem transmitido, sem sombra de retórica.
Hábil e inteligentemente, Ford abre com o lado heróico e empolgante da guerra, uma espécie de máscara ilusória da realidade histórica e humana que, no filme, vai lenta mas consistentemente dando lugar à dor que inevitavelmente lhe subjaz.
 O filme gira em torno da relação de amor-ódio ou, se assim se preferir dizer, do choque frontal entre as personagens do 'coronel  Marlowe' [John Wayne, de quem Ford soube quase sempre extrair o que nele havia de cinematograficamente mais impressivo assim como de narrativa e humanamente mais complexo] e do médico 'Hank Kendall' [William Holden] um par dicotómico a que se junta a personagem de Hanna Hunter, uma magnífica Constance Towers que em, "The Trial of Sergeant Rutledge", também de Ford, não tinha tido uma tal ocasião de brilhar. 
O filme é, como disse, todo ele um espantoso libelo pacifista e humanista manifestando o realizador nele a sua admirável aptidão para humanizar personagens complexas e à partida menos recomendáveis como este implacável 'colonel Marlowe' mas, sobretudo, o angustiado racista Ethan Edwards do sublime "The Searchers". 
Em termos estilísticos, "The Horse Soldiers" «é» John Ford, o estilista em plena maturidade, como um pintor, sempre em busca do movimento dentro do espaço de cada "frame", valorizando com uma inteligência visual e plástica o preenchimento do espaço dentro dele, em lugar de buscá-lo na manipulação mais ou menos fácil da própria câmara de filmar. 
Muito mais do que uma colecção ou teoria de imagens em sucessão, cada filme de Ford é, com efeito, por via de regra, uma obra que respira por cada fotograma, constituindo a "respiração" final da obra a impressiva dialéctica das várias "respirações" articuladas e unidas num objecto único, vivo e orgânico que é o filme.
A preocupação pacifista de Ford bem expressa no registo progressivamente escatológico que o filme vai assumindo com as sucessivas mortes e amputações  que o povoam não impede Ford de manifestar mais uma vez  a sua característica habilidade para captar toda a estética de um corpo de exército em movimento, assim como a bela e ideal dignidade e não-raro consistente [ainda quando complexamente paradoxal e angustiada] integridade dos homens que o compõem    
De destacar mais uma fabulosa criação de Hank Worden, um notabilíssimo secundário a que Ford recorre também no já citado "The Searchers", cujo 'Mose' aparece aqui trasvestido de pastor religioso, num curtíssimo papel que não passa seguramente deaspercebido aos admiradores do cinema de Ford e da fabulosa galeria de personagens de composição que não apenas  o povoam como, sobretudo humanizam e tornam por vezes quase... "dostoievskiano"...   
  

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

"O original e as cópias"

Cary Grant, o actor hitchcockiano por excelência e Eva Marie Saint, a mais fascinante e insondável das loiras do Mestre no genial "North By Northwest". 

"Cópia 1: «The Prize» de Mark Robson [1963]"

Paul Newman e Elke Sommer, o par romântico de "The Prize"